
As pesquisas para o Senado divulgadas nas últimas semanas apresentam diferenças importantes entre si. Para identificar o que há de mais consistente nesse conjunto, reunimos a última rodada de cada instituto com entrevistas realizadas em setembro e calculamos a média simples dos resultados.
São sete pesquisas registradas no TSE, com campo entre 11 de setembro e 1º de outubro. Seis formam a média principal. A Neokemp foi analisada separadamente por apresentar resultados mais distantes dos demais levantamentos.
Na soma do primeiro e do segundo voto, Deltan Dallagnol (Novo) aparece com média de 33,1%, seguido por Alexandre Curi (Republicanos), com 32,1%. Filipe Barros (PL) tem 29%, Gleisi Hoffmann (PT), 27,2%, Cristina Graeml (PSD), 14,9%, e Dr. Rosinha (PT), 14,1%.
Por que olhar para a média
Os institutos usam metodologias diferentes. Há pesquisas presenciais e por telefone, além de diferenças na forma de perguntar o segundo voto e contabilizar indecisos, brancos e nulos.
Isso ajuda a explicar variações expressivas. Deltan, por exemplo, aparece com 22% na Quaest e 49,8% na Neokemp, em pesquisas realizadas com cerca de uma semana de diferença. Na Quaest, indecisos, brancos e nulos representam 42% dos votos possíveis. Na Neokemp, 4,5%.
A média reduz o peso dessas diferenças e permite observar o que se repete entre os levantamentos.
O que a média mostra
O dado mais consistente é a presença de Curi e Deltan no topo. Em cinco das sete pesquisas, os dois ocupam as duas primeiras posições, alternando a liderança. Curi aparece numericamente à frente na Alfa, Índice e Quaest. Deltan lidera na Paraná Pesquisas e na Real Time Big Data.

Também calculamos uma segunda média considerando apenas as menções aos candidatos, sem indecisos, brancos e nulos, em uma lógica próxima à dos votos válidos. O resultado praticamente não muda: Deltan fica com 21,2%, Curi com 21%, Barros com 18,7% e Gleisi com 17,7%.
Como a média foi construída
Foram consideradas as pesquisas mais recentes de Alfa Inteligência, Paraná Pesquisas, Índice Inteligência, Quaest, Ágili, Real Time Big Data e Neokemp. A IRG ficou de fora porque teve sua pesquisa suspensa por decisão liminar do TRE-PR em 25 de setembro.
A média, portanto, deve ser usada principalmente para observar a posição e a distância entre os candidatos, e não como uma medida de precisão decimal.
Uma disputa ainda aberta
Há outro dado importante. Nas pesquisas espontâneas, quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, 64,8% na Paraná Pesquisas e 65% no Índice não citaram nenhum candidato ao Senado. Na Paraná Pesquisas, 41,8% ainda não haviam escolhido o segundo nome.
Esse índice mostra o espaço ainda existente para mudanças na reta final, especialmente na definição do segundo voto.
Como ler a disputa por duas vagas
Na eleição para o Senado, cada eleitor escolhe dois candidatos. Por isso, a soma dos percentuais pode chegar a 200%. Mais do que saber quem aparece em primeiro, é importante observar a distância entre o segundo e o terceiro colocados, já que são duas cadeiras em disputa.
O conjunto das pesquisas de setembro aponta Deltan e Curi no topo, resultado que se mantém nas duas formas de cálculo. Logo atrás aparecem Filipe Barros e Gleisi Hoffmann, em uma disputa ainda apertada.
Com uma parcela significativa do eleitorado sem o segundo voto definido, a reta final permanece aberta, especialmente na disputa pela segunda cadeira.