
A Polícia Civil do Paraná (PCPR), por meio da Delegacia de Ipiranga, concluiu o inquérito que investigou o grave acidente ocorrido na madrugada de 19 de agosto de 2026, no km 209 da BR-373, em Ipiranga. A colisão resultou na morte de 23 pessoas.
De acordo com as conclusões da investigação, o acidente foi provocado por uma combinação de fatores relacionados aos dois veículos envolvidos: um caminhão da empresa Meggatrans, que teria invadido a pista contrária, e um micro-ônibus pertencente ao Município de Imbituva, que transportava pacientes para consultas e exames médicos. O impacto provocou a morte de 22 ocupantes do micro-ônibus, incluindo o motorista, e do motorista do caminhão. Outras cinco pessoas, todas passageiras do coletivo, sobreviveram e ficaram feridas.
IRREGULARIDADES NO CAMINHÃO- Segundo a Polícia Civil, as perícias identificaram problemas relacionados à condução e às condições de manutenção do caminhão. Dados de telemetria indicaram que o veículo trafegava a aproximadamente 80 km/h momentos antes da colisão, em um trecho cuja velocidade máxima permitida era de 60 km/h. Os laudos também apontaram desgaste que comprometia a eficiência do sistema de frenagem.
Outro elemento analisado durante a investigação foi o uso do celular. Conforme os dados levantados pela Polícia Civil, o motorista do caminhão acessou o aplicativo WhatsApp cerca de 17 minutos antes da colisão. Para os investigadores, existe a possibilidade de que o condutor estivesse distraído pelo uso do aparelho no momento em que o caminhão invadiu a pista contrária.
ÔNIBUS ACIMA DO LIMITE – A investigação também apontou excesso de velocidade por parte do micro-ônibus que transportava os pacientes. De acordo com o laudo obtido a partir do cronotacógrafo digital do veículo, o coletivo trafegava a 101 km/h no momento do impacto, velocidade 41 km/h acima do limite regulamentar de 60 km/h naquele trecho da rodovia.
O relato de um dos passageiros que sobreviveram também foi considerado pela investigação. Segundo o depoimento, o micro-ônibus havia deixado Imbituva com aproximadamente 20 minutos de atraso, e o motorista estaria conduzindo de maneira “apressada”.
Os exames toxicológicos realizados nos dois motoristas deram resultado negativo para álcool e drogas.
TERCEIRO VEÍCULO – Durante a investigação, também foi considerada a possibilidade de participação de um terceiro veículo na colisão. A hipótese surgiu após um caminhão de cor prata, que apresentava avarias, ter sido visto nas proximidades do acidente. No entanto, a Polícia Civil descartou a participação desse veículo. Conforme as imagens e registros analisados, as avarias eram decorrentes de um acidente anterior. Os ocupantes do caminhão teriam parado no acostamento para sinalizar a rodovia e auxiliar no atendimento às vítimas.
INVESTIGAÇÃO – Como os dois motoristas envolvidos diretamente na colisão morreram no acidente, a Polícia Civil informou que não há possibilidade de responsabilização criminal dos condutores.
Apesar disso, o conjunto de provas reunido durante o inquérito, incluindo laudos periciais, dados de telemetria, registros e depoimentos, poderá ser utilizado para subsidiar eventuais ações na esfera cível. O material poderá contribuir para processos relacionados à reparação de danos e indenizações às vítimas sobreviventes e aos familiares das pessoas que morreram na tragédia.