
Neste sábado (31), completam-se 30 anos de uma das maiores tragédias da aviação brasileira: o acidente com o voo 402 da TAM, que deixou 99 mortos em São Paulo. Entre as vítimas estava um profissional cuja história tinha ligação direta com Carambeí: Louwerinus Hoogerheide, conhecido como Rino, que morava no município e ocupava o cargo de diretor de Vendas da Parmalat Brasil.
O acidente aconteceu em 31 de outubro de 1996. Um avião Fokker 100, que havia decolado do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino ao Rio de Janeiro, caiu poucos segundos após deixar a pista. As 95 pessoas que estavam a bordo, sendo 89 passageiros e seis tripulantes, morreram. Outras quatro pessoas que estavam em solo também foram vítimas, totalizando 99 mortes.
A aeronave permaneceu no ar por aproximadamente 24 segundos, atingiu três prédios e caiu sobre casas na Rua Luís Orsini de Castro, no bairro do Jabaquara. Após o impacto, houve um incêndio.
CARAMBEÍ — Nascido em Kortgene, na Holanda, Louwerinus Hoogerheide veio ainda criança para o Brasil e estabeleceu residência em Carambeí, onde construiu parte de sua trajetória pessoal e profissional. Era conhecido como Rino.
Sua carreira na Parmalat começou em abril de 1994, quando assumiu a responsabilidade pela regional do Rio de Janeiro. Posteriormente, passou a responder também pela regional de São Paulo. Em março de 1995, alcançou a diretoria da holding Parmalat, assumindo a coordenação das vendas da companhia na América Latina e na China. Na época do acidente, ocupava o cargo de diretor de Vendas da Parmalat Brasil.
A importância de sua função na empresa ficou evidente após sua morte: temporariamente, as responsabilidades desempenhadas por Rino foram assumidas pelo próprio presidente da holding, Gianni Grisendi.
VOO 402 — De acordo com o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a investigação apontou problemas relacionados ao sistema de reverso de empuxo do motor direito durante a decolagem.
O reversor é um dispositivo utilizado para auxiliar na desaceleração da aeronave durante o pouso. Conforme a análise técnica, uma falha no sistema fez com que o reversor permanecesse aberto, comprometendo o desempenho do avião justamente no momento em que precisava ganhar velocidade e sustentação. O relatório também descreveu dificuldades no controle da potência dos motores e a perda de sustentação que antecedeu a queda. As condições meteorológicas eram favoráveis, e a aeronave estava dentro dos limites de peso e balanceamento.
TRÊS DÉCADAS — Passados 30 anos, o acidente permanece na memória de familiares das vítimas e também na história de cidades que perderam pessoas naquela tragédia. Para Carambeí, a data representa também a lembrança de Louwerinus Hoogerheide, Rino, que construiu sua trajetória no município e alcançou posição de destaque no setor empresarial brasileiro.
Sua história conecta Carambeí a um dos episódios mais marcantes da aviação nacional, lembrando que, entre as 99 vidas perdidas naquele 31 de outubro de 1996, estava a de um homem que tinha raízes e história na cidade.