
O Núcleo Regional de Ponta Grossa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, deflagrou nesta terça-feira (30) a segunda fase da Operação A Rede, que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias, invasões de sistemas informáticos e lavagem de dinheiro.
A ação contou com o apoio da Polícia Civil e da Polícia Científica do Paraná e resultou no cumprimento de 182 ordens judiciais, expedidas pela 3ª Vara Criminal de Ponta Grossa. Entre as medidas estão seis mandados de prisão preventiva, 49 mandados de busca e apreensão, quebras de sigilo telefônico, além do bloqueio de contas bancárias, veículos e imóveis de investigados.
Os mandados foram cumpridos em Ponta Grossa, Carambeí, Arapoti, Foz do Iguaçu, Apucarana e Fazenda Rio Grande. Conforme balanço parcial divulgado pelo Gaeco, cinco dos seis mandados de prisão já haviam sido cumpridos até o fim da manhã, enquanto as equipes continuavam as buscas pelo investigado considerado foragido.
Durante a operação, foram apreendidos 21 aparelhos celulares, R$ 243 mil em dinheiro, duas caminhonetes, duas motocicletas, uma pistola calibre 9 milímetros com 26 munições, além de diversos equipamentos eletrônicos. Também foram localizados 140 gramas de maconha e 21 gramas de haxixe, o que resultou em três prisões em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas e obstrução da Justiça.
Segundo as investigações, a organização criminosa operava de forma estruturada, com divisão de funções entre operadores de falsas centrais telefônicas, hackers, programadores e uma rede de “laranjas” responsável por movimentar e ocultar os valores obtidos por meio das fraudes.
O esquema teve início a partir da descoberta de uma falsa central de atendimento instalada em uma chácara em Ponta Grossa. Os criminosos se passavam por funcionários de instituições financeiras para convencer as vítimas a fornecer informações pessoais. Enquanto mantinham contato telefônico, outros integrantes invadiam as contas bancárias e realizavam transferências em tempo real para contas de empresas de fachada e pessoas físicas.
As investigações também apontaram que o grupo desenvolvia páginas falsas de bancos e programas de acesso remoto capazes de bloquear computadores das vítimas, facilitando a subtração dos recursos financeiros.
De acordo com o Gaeco, a organização chegou a planejar o desvio de mais de R$ 2 milhões das contas da Prefeitura de Manfrinópolis, no Sudoeste do Paraná, crime que foi impedido pela atuação das equipes de investigação.
Ainda conforme o Ministério Público, o dinheiro obtido com os golpes financiava uma vida de alto padrão para integrantes da organização, incluindo viagens internacionais, voos em jatos particulares, passeios de jet ski e aquisição de veículos importados.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, furto qualificado mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.

