
Queimaduras graves podem resultar em internações prolongadas, cirurgias, limitações funcionais e cicatrizes permanentes. Com a aproximação das festas juninas, período em que aumenta a exposição ao fogo e a líquidos quentes, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) intensifica o alerta para a prevenção.
De janeiro a maio deste ano foram registrados 507 internamentos e 722 atendimentos realizados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em decorrência de queimaduras. Em 2025, 1.638 pessoas foram atendidas pelo serviço de urgência, enquanto 1.962 precisaram de internações hospitalares.
O principal risco durante as tradicionais festas juninas é a ocorrência de queimaduras de segundo grau e que envolvem cabeça, tronco e membros superiores (mãos e braços). Esses acidentes, que podem ser causados por líquidos quentes e uso de fogos de artifícios, além do acendimento de fogueiras ou por chegar muito perto do fogo, podem até levar à morte, dependendo da gravidade.
“É possível preservar as tradições das festas juninas, desde que a segurança seja colocada em primeiro lugar. Não podemos permitir que um momento de celebração se transforme em risco à vida. Por isso, reforçamos orientações simples, mas fundamentais, que fazem toda a diferença neste período”, destaca o secretário de Estado da Saúde, Cesar Neves.
CUIDADOS – É preciso ficar atento a todos os tipos de queimaduras. Se for de primeiro grau, aquela que causa vermelhidão, é necessário colocar a parte queimada embaixo da água corrente fria por aproximadamente dez minutos. Compressas úmidas e frias também são indicadas.
Para a de segundo grau, que contém bolha, a orientação é não furar, já que o corpo reabsorverá o líquido gerado. Caso seja uma queimadura mais profunda, de 3º grau, em grandes extensões do corpo, por substâncias químicas ou eletricidade, a vítima necessita de cuidados médicos e de saúde urgentes acionando o número 192, do Samu, ou o 193, do Siate, vinculado ao Corpo de Bombeiros Militar do Paraná.
Até ao socorro chegar, a pessoa deve se afastar do perigo e interromper a fonte de calor ou que está ocasionando a queimadura. No local da lesão de pele usar apenas água corrente (de 10 a 15 minutos) ou solução fisiológica para resfriar a área lesionada; não colocar gelo ou outro produto, o que poderá agravar o ferimento; retirar todos os acessórios como relógio, anel, aliança, ou blusa comprida, que possam agravar ainda mais a lesão. É recomendado ainda usar uma gaze ou pano úmido para aliviar a dor causada pela queimadura.
JUNHO LARANJA – O Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), do Hospital Universitário da Universidade de Londrina (UEL), unidade referência no Estado para tratamento de queimaduras, promove a campanha Junho Laranja para orientar sobre as formas de prevenção.
O mês foi escolhido, em alusão ao Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras, 6 de junho. A campanha é nacional, idealizada pela Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ). O tema central deste ano é “Trabalho seguro sem queimaduras: Prevenção é o melhor equipamento de proteção”. Os acidentes de trabalho que geram este tipo de incidente evidenciam o tema.
REDE DE ATENDIMENTO – O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para pessoas que foram acometidas por queimaduras. O Paraná tem 35 leitos disponíveis pelo SUS, 23 cirúrgicos e 12 leitos UTI. O Hospital Universitário de Londrina e o Hospital Evangélico Mackenzie, em Curitiba, são referências nesse tipo de internação.
Os leitos especializados para queimados são voltados a casos graves, que exigem internação prolongada. Além disse, as pessoas vítimas de acidentes contam com uma ampla Rede Hospitalar e Assistencial, recebendo atendimento em diversas unidades de saúde distribuídas pelo Estado, que possuem profissionais capacitados e equipamentos adequados para o tratamento dessa e de outras patologias.