
A nova fábrica de vidros da Ambev, construída em Carambeí, recebeu na última sexta-feira (26) a Licença Ambiental de Operação (LAO) emitida pelo Instituto Água e Terra (IAT). Com isso, a multinacional já está autorizada a iniciar oficialmente a produção de garrafas, que serão destinadas às unidades de bebidas da companhia, como a Cervejaria Adriática, em Ponta Grossa.
O empreendimento, erguido às margens da PR-151, representa um investimento de R$ 870 milhões e tem capacidade para produzir 400 toneladas de garrafas diariamente. De acordo com estimativas divulgadas anteriormente, a produção pode chegar a 1,5 mil garrafas por minuto. A Ambev, no entanto, ainda não confirmou a data de inauguração da unidade.
A planta foi projetada para atender diferentes linhas de embalagens, desde as garrafas long neck até as maiores de um litro, conhecidas como “litrão”. Além disso, a produção contempla diversas cores, como verde e âmbar, utilizadas em rótulos consagrados da marca, entre eles Stella Artois, Original, Spaten e Corona.
Outro destaque é o viés sustentável da operação. A fábrica terá como principal matéria-prima os cacos de vidro reciclado, coletados em parceria com cooperativas e empresas de logística reversa. Para se fabricar duas garrafas novas, é necessário o equivalente a uma garrafa em cacos, complementados por areia, barrilha e calcário.
Desde a sua concepção, a unidade foi planejada para ser a mais moderna do setor na América Latina, operando com 100% de energia renovável e preparada para a utilização de biocombustíveis. Somente durante a fase de construção, mais de 2 mil trabalhadores estiveram envolvidos. Agora, a expectativa é de geração de 170 empregos diretos e até 2 mil indiretos na região.
Nos últimos três anos, a Ambev já investiu mais de R$ 10 bilhões em suas operações no Brasil, voltados à ampliação de linhas de produção de bebidas e embalagens.
Apesar da licença já concedida, o IAT estabeleceu condicionantes para a manutenção da autorização. A empresa deverá, em até 120 dias, construir uma cobertura para a área de armazenamento de cacos de vidro, sendo proibido mantê-los a céu aberto nesse período. Outra exigência é a apresentação, em até 60 dias, de um projeto de preservação da fauna silvestre ameaçada de extinção na área de influência do empreendimento.